Thursday, October 09, 2008

 

Em Defesa dos Funcionários do SAMU

No dia 13 de julho de 2008, o jornal Tribuna de Minas publicou uma matéria citando a deficiência da estrutura do SAMU, porém foi totalmente infeliz ao estampar na primeira página o título de roleta russa. A expressão está errada e joga os servidores do órgão contra os usuários, uma vez que, ao lerem o título da capa fazem uma interpretação equivocada. Com isso, a segurança destes profissionais fica ameaçada, principalmente porque, na maioria das vezes, quando a população aciona o SAMU a situação é sempre de risco de vida, e os dedicados profissionais agem com a total responsabilidade de quem lida com seres humanos. Jamais os servidores do SAMU têm a prerrogativa de decidir sobre a vida das pessoas.

É preciso deixar claro que de fato a deficiência existe, mas deficiência de estrutura, não de qualificação dos trabalhadores do órgão, que nunca foram negligentes no exercício da função.

O sindicato dos servidores sai em defesa dos trabalhadores do SAMU, uma vez que o jornal não ouviu as partes. Em nenhum momento o SINSERPU, através de sua diretoria, foi procurado para se posicionar sobre o assunto.

Solicitamos que o jornal Tribuna de Minas corrija o equivoco, e que a matéria novamente ganhe as páginas, porém, com o devido esclarecimento, pois o SAMU é um órgão competente, com servidores preparados que agem todos os dias em defesa da vida.

Cosme Nogueira - Presidente do Sinserpu

 

Os justos pagam pelos pecadores

A situação na prefeitura de Juiz de Fora já estava ruim há algum tempo, mas piorou bastante para os servidores com a comprovação de desvio de recursos na administração anterior. Com a ascensão do atual prefeito, a prioridade passou a ser a manutenção da folha de pagamento da categoria.

Fazemos coro à prerrogativa, mas não podemos deixar de marcar a nossa posição enquanto sindicalistas, quando algumas medidas são tomadas e estas, por sua vez, são contrárias aos interesses dos trabalhadores.

Citamos aqui a situação dos servidores do HPS. Não sabemos por que ou qual o motivo, mas a empresa Servir que tem contrato com a prefeitura para o fornecimento de refeições, reduziu substancialmente a qualidade da alimentação, e muitos trabalhadores estão deixando de se alimentar em virtude desse problema. O que aconteceu? Mudou o contrato?

Neste caso, porém, os servidores não podem ser penalizados. Outro assunto diz respeito às demissões de antigos contratados, em sua maioria, com baixos salários, que neste momento estão sofrendo as conseqüências.

O corte de horas-extras, por sua vez, tem afetado a categoria de uma maneira cruel. Muitos servidores fazem esse trabalho extra há anos e o valor pago já faz parte da contabilidade doméstica de suas famílias.

Sabemos ser necessária a redução de gastos, mas é importante ter a prudência e o cuidado para não cometermos injustiças. Esperamos que a Administração se posicione, e que todas as providências sejam tomadas para que os justos não paguem pelos pecadores.



Cosme Nogueira - Presidente do Sinserpu


 

Qualificação e renovação são prioridades

Acompanhar a evolução dos tempos é uma obrigação de todos aqueles que possuem consciência coletiva e tem visão de futuro. Portanto, o movimento sindical não pode ficar fora desta tese. Os últimos levantamentos apontam que o movimento sindical está envelhecendo, ou seja, falta renovação, mas qual é o motivo?

Muitos dizem que os jovens estão antenados nas novas tecnologias que o mundo moderno globalizado oferece, mas o movimento sindical, a partir desta análise, necessita urgentemente de buscar novas alternativas, com o objetivo de atrair a juventude para o movimento. Quais alternativas seriam?

Primeiro: buscar novas formas de se comunicar com a base. Atualmente, a maioria das entidades, através dos informativos, estabelece uma linguagem maçuda, ou seja, direcionada apenas àqueles que entendem o dialeto sindical. É preciso renovar os jornais, investindo no visual, adaptar um vocabulário fácil, escolher pautas abordando temas atuais, fazendo com que a leitura seja mais prazerosa.

Segundo: investir nas novas tecnologias da informática, criando sites, promovendo a comunicação virtual.

Terceiro: presença constante na base, o corpo-a-corpo é fundamental. A direção não pode se ausentar dos locais de trabalho, ela tem que estar presente para evitar um distanciamento, que na maioria das vezes estabelece uma relação formal, e a relação entre direção e a base tem que ser calorosa e intensa.

Mas o ponto crucial, para a grande transformação é a qualificação dos dirigentes e da própria base, quem tem visão de futuro precisa se qualificar e aprimorar seus conhecimentos. A elite investe pesado na educação e porque nós, trabalhadores, temos que ser diferentes? Não podemos sentar numa mesa de negociação sem preparo, não podemos estar despreparados no relacionamento com a imprensa e com os demais segmentos organizados da sociedade, para isso, temos que vencer algumas barreiras impostas pelo atraso e ignorância de alguns que acham que o dinheiro do sindicato é somente para manter o mínimo necessário.

Falta visão a quem pensa desta maneira, pois, educar e qualificar são imprescindíveis. Quando um grupo de sindicalistas parte em viagem para participar de congressos ou plenárias, é comum ouvir alguém dizer que os companheiros vão passear, pobre ignorância. Mal sabe o desinformado, que para alcançar o sucesso numa campanha salarial ou em qualquer reivindicação é necessário o mínimo de preparo possível e este preparo se adquire, participando e se interagindo com os demais segmentos.

Qualificação caminha ao lado da renovação. Sindicato tem um papel importante dentro da sociedade, sindicato é símbolo de resistência, vivemos numa sociedade feroz, lutamos contra um capitalismo selvagem que nos explora, e temos que estar preparados para o enfrentamento.



Cosme Ricardo Gomes Nogueira - Presidente do Sinserpu


 

Sindicalismo que incomoda

Desde que assumimos a direção do Sinserpu em 2001 adotamos o lema do sindicalismo consciente, ou seja, nem radical nem submisso, aliado a uma política de resultados. Esta prática deu certo e hoje temos a satisfação de poder mostrar as conquistas que obtivemos ao longo destes anos.O sindicalismo moderno cobra daqueles que estão à frente das entidades uma postura diferente: é preciso ter preparo, liderança e principalmente estar atento às questões políticas. O sindicalismo moderno tem propostas e diálogo permanentes. Não basta só reivindicar e cobrar, é necessário ao sindicalista, ao se sentar numa mesa de negociação, preparo para apresentar alternativas que visem ganhos para a categoria.O diálogo permanente não significa que as manifestações de massa e os enfrentamentos mais arrojados acabaram. Eles são instrumentos de luta que podem ser utilizados quando todas as possibilidades de diálogo se esgotam, e mesmo quando o sindicato for realizar atos de enfrentamento, é importante usar a criatividade e sempre procurar trazer a comunidade para junto do movimento como forma de aglutinar forças, principalmente se for do serviço público.Esta maneira de agir não é unânime e como toda mudança trás resistência, existem aqueles que dizem de forma maldosa que somos precursores do neo-peleguismo. Este discurso é dito pelos adeptos do velho jargão “vamos à luta companheiro”. Porém, não é segredo para ninguém que nem todos iam à luta e nem todos eram companheiros. Aquela forma do sindicalismo radical permanente era necessária no período da ditadura militar, quando o povo lutava pela abertura política e o direito de expressão, ou seja, lutava pelo poder.Hoje temos o direito de expressão e alcançamos o poder, pois o maior líder sindical do país se tornou presidente da República. E mesmo assim vamos continuar exercendo o sindicalismo do mesmo jeito do passado?O próprio presidente Lula só chegou ao poder se aliando a forças consideradas rivais e que, sem a proposta de coalizão com os demais partidos, jamais conseguiria vencer as eleições. Foi necessário mudar o discurso para chegar ao poder e daí realizar as transformações que o país precisava. Diante desta realidade temos a plena convicção que a nova maneira de exercer o sindicalismo não fere os velhos padrões que o conservadorismo resiste. Pelo contrário, a nova forma acompanha a evolução dos tempos e todas as entidades que passaram a adotar a postura do sindicalismo moderno, estão colhendo bons resultados para suas categorias. Dialogar não significa se vender ou pelegar; diálogo é buscar resultado, e sem resultado sindicato enfraquece e sindicato enfraquecido é sindicato sem base.Preparar as lideranças do movimento sindical hoje é uma prioridade, pois sem preparo não chegaremos a lugar nenhum e a participação do movimento sindical dentro da esfera política é importantíssimo, pois aumenta o poder de força da classe trabalhadora. Eleger representantes dos trabalhadores comprometidos com a causa é agir com inteligência. Quanto mais representantes conseguirmos eleger, mais resultados vamos colher. Esta tese do sindicalismo moderno incomoda tanto aos sindicalistas resistentes quanto aos capitalistas e representantes do sistema, pois é uma postura diferente, uma nova forma de luta em busca do estado social democrático de direito.Cosme Nogueira - Presidente do Sinserpu
Os servidores e as eleiçõesVocê acha que nós vivemos realmente numa democracia? Com certeza não. Muitos dados reais contribuem com esta avaliação, mas a situação dos servidores municipais dentro do período eleitoral é um fato comprovado de violação do estado social democrático de direito. Não é respeitado o direito dos servidores expressarem publicamente a sua opção e o que comprova este fato real é que tão logo seja definido o processo eleitoral. Ou seja, após o resultado final, quando é divulgado o nome do vencedor, os servidores que optaram pelo candidato derrotado são rotulados de oposição ou da turma do contra e vão amargar quatro longos anos de penúria e sofrimento, e ainda ficam com medo de procurar o sindicato para fazer a denúncia. É muito comum ouvir dos servidores a mesma resposta quando ele é abordado por alguém sobre o seu candidato: já tenho o meu candidato, mas prefiro não manifestar. Até quando vamos ter que passar por esta situação, que é humilhante e de total desrespeito. Será que teremos de fazer uma revolução para de fato ser implantada a real democracia? O pior é ver que os praticantes desta atitude absurda são políticos que batem no peito que derrubaram a ditadura. Será que derrubaram mesmo, ou acabaram com uma para construir outra? Quantos servidores sofreram no passado e quantos ainda sofrem nas mãos dos carrascos e tiranos do poder? Pessoas que cometem verdadeiras atrocidades morais, prejudicando famílias, através do uso indevido da máquina pública com a colaboração dos puxa-sacos que, em sua maioria, incompetentes e inúteis. Os sindicatos representativos lutam para acabar com este absurdo. O objetivo é pôr fim ao flagrante desrespeito aos servidores e ao assédio moral praticado pelos pregadores do continuísmo político oligarca, que não trás beneficio para a coletividade e só sustenta os privilégios dos poderosos e de meia dúzia que os cercam.

Cosme Nogueira - Presidente do Sinserpu JF


Thursday, March 15, 2007

 

Biografia - Cosme Nogueira

Tempos de Infância – Nasci no dia 25 de março de 1963 na cidade de Juiz de Fora, no bairro Retiro. Sou filho de caminhoneiro e de uma dona de casa.
A) Primeiro golpe – Aos três anos de idade perdi minha única irmã Maria Alice, vítima de acidente automobilístico.
B) Abalo familiar – Devido à morte de minha irmã, minha mãe Daracy Baldiotti passou por várias internações em hospitais psiquiátricos e por isso passei boa parte da infância na casa de vizinhos, de meus avós paternos, na boleia do caminhão de meu pai, Wantuil Gomes Nogueira, e na Escola Carolina de Assis, no bairro Floresta, onde conclui o ensino primário.
C) Brincadeiras de criança – Como todo garoto de minha época, minhas brincadeiras preferidas eram – jogar futebol, andar de carrinho de rolimã, soltar pipas e disputas de bolas de gude.
D) Fato marcante – Um fato que marcou minha infância foi quando aos 9 anos acompanhando o meu pai por uma viagem ao Rio de Janeiro, o caminhão quebrou em plena Avenida Brasil, às 6 horas da tarde e embaixo de muita chuva. Não tendo outra alternativa, meu pai me colocou dentro de outro caminhão como carona que me trouxe para Juiz de Fora. Chegando em casa, entreguei à minha mãe um bilhete de meu pai que pedia que ela enviasse um guincho. Então minha mãe e eu fomos até a concessionária da Mercedes Benz, lá fora aconselhada a enviar o dinheiro para o problema ser resolvido no Rio de Janeiro, pois o deslocamento do guincho ficaria mais caro. A alternativa encontrada foi pedir carona para mim a um caminhão da Kibon que estava saindo da concessionária indo para o Rio de Janeiro.
E) Quebra 2 – Tudo parecia tranqüilo até que a carreta de sorvete quebrou na altura do município de Areal. Naquela época, não havia a BR- 040 e sim a Rodovia União Indústria. Até que o socorro chegasse, o tempo foi passando e a carreta só chegou ao lugar onde estava o caminhão do meu pai tarde da noite. O motorista da carreta estava nervoso e com muita pressa, quando avistamos o velho caminhão Mercedes Benz "cara chata", ele parou a carreta e me levou somente até o meio da pista.
F) A surpresa – Quando me aproximei do caminhão de meu pai, tive uma surpresa, a cabine estava com a porta trancada, foi quando se aproximou um vendedor ambulante me disse que o dono lhe pedira para tomar conta do veículo e tinha retornado para Juiz de Fora em busca de solução. Não tive outra alternativa a não ser colocar um papelão embaixo da carreta e dormir.
G) Noite na Baixada – Imagine você: uma criança de apenas nove anos passar uma noite embaixo de um caminhão na Baixada Fluminense... Certa hora da noite, fui acordado com risos e vi alguns homens se aproximando em minha direção, pelos passadas irregulares percebi que estavam embriagados. Chegaram próximo do caminhão e começaram a tirar a "água do joelho". Foi quando um deles me avistou e perguntou-me: O que você está fazendo aí menino? Não pestanejei e respondi: Esta muito quente na boleia do caminhão onde esta meu pai, por isso estou aqui fora. Mas como Deus é grande e poderoso, nada de ruim me fizeram.
H) Notícias do meu pai – Quando amanheceu, muitos caminhoneiros passavam e pediam para eu ficar calmo que meu pai já estava a caminho, pois ao chegar em Juiz de Fora e ficar sabendo que eu estava no Rio de Janeiro com o dinheiro para resolver a situação, ficou louco e disse que "só Deus pode salvar meu filho". E que desesperadamente pegara uma carona com um amigo e fora ao meu encontro.
I) O alívio – Ao chegar no local onde eu estava, meu pai ficou aliviado e agradeceu a Deus. Até hoje, aquela experiência de passar uma noite em baixo do caminhão na Baixada Fluminense, com nove anos de idade me valeu a coragem que tenho até hoje. Ali era um sinal que a vida para mim não seria fácil.
Tempos de adolescência – Minha adolescência foi muita intensa. Após concluir a 4ª série na Escola Carolina de Assis no bairro Floresta fui transferido para a Escola Municipal Olinda de Paula Magalhães que funcionava paralela à Escola da Comunidade Nossa Senhora Aparecida, que era gerenciada pela antiga CNEC onde cursei ao antigo Curso Ginasial, isto em 1974.
a) Meus educadores – No bairro Retiro, tive oportunidade de conviver com educadores fantásticos como Altair Gomes Nogueira, que não é meu parente, temos apenas semelhança no nome; Aparecida Valéria; Iara; Irmã Alice; Deila Pimenta Brasiel e o Padre Nilton Fagundes Rauck. Mas conheci ali uma pessoa que foi importantíssima na minha vida, Rodnel Pimenta Brasiel. Este homem era um militante e sindicalista que fora perseguido pelo regime militar, trabalhava no colégio como voluntário, o seu interesse era o ideal comum, ver a comunidade politizada e os jovens bem preparados. Seu Rodnel dava a vida pelo colégio. Um homem que com certeza merecia que seu nome fosse lembrado com destaque que ele merecia.
b) Curso de Torneiro Mecânico – Paralelo ao curso ginasial, em 1975 fui aprovado no Senai para o curso de torneiro mecânico. Era uma luta. Acordava bem cedo e vinha de Xangai para Juiz de Fora e depois retornava para o Retiro e ia direto para a escola. Tenho lembrança de ter o prazer de sido aluno dos professores Octacílio Munck Lotar; Malveliata; Zancaneli e o saudoso professor Jardim, que era também Diretor.
c) Grêmio Literário – No curso ginasial eu gostava muito das aulas de história e também das aulas de literatura, principalmente na última sexta-feira do mês, quando era a apresentação do Grêmio Literário. Ali despontava em mim a vontade de escrever. Escrevi peças de teatro infantil e até peças de tom crítico e cômico, era muito divertido, pena que o tempo não volta mais.
d) Hora de trabalhar – Aos 15 anos de idade, após concluir o curso ginasial e receber o diploma de torneiro mecânico pelo Senai. Minha mãe falou que era hora de trabalhar, apesar de ser filho único não tive moleza. Trabalhei nas empresas Caputo & Caputo Manutenção Industrial que funcionava na rua Espírito Santo na antiga Casa do Bispo e na fábrica Natal de Artefatos de Papel, na Av. Sete de Setembro. Mas meu primeiro emprego de carteira assinada foi na fábrica de Tecidos São João Evangelista S.A., no bairro Floresta. Fui na trabalhar na expedição de cobertores, fiquei lá até ir servir o Serviço Militar.
e) Lembranças da fábrica da Floresta – Meus avós paternos, Justina e Domingos e vários tios e tias maternos e paternos também trabalharam lá por muitos anos. Tive o prazer de conviver com pessoas maravilhosas, com quem aprendi muito – aprendizado para a vida toda e tenho saudades do Paulo Santos já falecido que me ensinou tantas coisas, pena que já se foi. Tenho saudades ainda do José Quaquio; Adilson; Geraldo Moreira; João Gualberto; do meu tio Bernardo; José Tagliati; Sr. Luiz Cargogin; Guido Basoli; das meninas que hoje não são mais meninas, Claudia; Bete; Neli; Sueli e tantas.
f) Meu erro – Mas nesta época cometi o maior erro da minha vida. Eu fui matriculado no Colégio Machado Sobrinho para o curso de contabilidade. Eu pegava no trabalho às seis horas da manhã e parava às quatro horas da tarde, chegava em casa tomava um banho e ia direto para o colégio, só chegava em casa por volta da meia noite e tinha que acordar as cinco da manhã. Tinha semana que acordava as quatro da manhã, porque tinha que pegar no serviço as cinco da manhã para fazer horas extras e eu não agüentei e resolvi parar com os estudos, isto me custou muito caro e pago o preço até hoje.
g) Conciliação trabalho e futebol – Minha adolescência era o trabalho conciliado com a diversão que era o futebol. O esporte preferido do bairro. Que saudades do futebol de várzea do Retiro e Floresta, tinha bons times e excelentes jogadores, histórias que conto no "Entrando na área...".
Tempos de juventude – Descrevo sob uma fase que não vivi muita coisa que na vida se recupera. Exemplo – o dinheiro, saúde e até mesmo o amor. Mas a algo que jamais recupera o "tempo". O que você viveu está preenchido, mas o que deixou de viver não tem mais jeito é só lamentar. Falo isso porque quando fui demitido da fábrica de tecidos São João Evangelista em virtude do serviço militar, fiquei mais o menos de trinta a quarenta dias a disposição do exército, mais precisamente no 17º Belog (Batalhão Logístico), conheci lá pessoas maravilhosas como o Sargento Almada, mais conhecido em Juiz de Fora como Zezé do Pandeiro, por ser compositor e cantor, também o Sargento Calixto conhecido por coração também músico e compositor e tantos outros. Mas no final fui dispensado pelo saudoso Coronel Itaboray.
a) O sonho – Meu sonho era ser jogador de futebol, a posição que sempre joguei era no gol. Eu era um goleiro com boa estatura e porte físico, tinha uma boa performace para a posição. Jogara futebol de várzea no bairro Retiro onde fui criado até que tentei buscar algumas oportunidades em outras cidades.
b) Destino traçado – Mas meu destino estava traçado. Em 1981, meus pais venderam nossa propriedade em Juiz de Fora e nos mudamos para a cidade paulista de São José dos Campos, foi muito difícil para mim, pois foi a casa que nasci e passei a minha infância. Fiquei em São José dos Campos até o início de 1982, quando voltei para Juiz de Fora, onde eu havia deixado uma namorada. Em junho do mesmo ano me casei. Consegui emprego numa empresa de ônibus como auxiliar de lanternagem e depois fui promovido a torneiro mecânico, nesta empresa fiquei por sete anos.
c) Nascimento de Janaina, Jackson e Jonas – Em 23 de fevereiro de 1983 nasceu minha primeira filha Janaina e em 05 de outubro de 1985 chegou meu segundo filho Jackson. Não é difícil entender porque não tive juventude. Minha vida era só trabalhar. Hoje tenho a consciência que foi uma decisão prematura, me casei cedo demais, com 19 anos e com 20 anos já era pai, tinha que trabalhar para sustentar a família, ganhava muito pouco, nem dinheiro para comprar leite sobrava. Minha filha foi criada recebendo leite do governo, através de um extinto programa PEPL.
d) Duros tempos – Moramos num porão cedido pelos pais de minha esposa a época. Muitas vezes eu deixava de comer a carne servida no restaurante da empresa e levava apara dividir em casa. Alguns companheiros me davam o saquinho de leite e também a carne quando eles não queriam. Não tenho vergonha de expor isto a público, porque foi muito importante para o meu amadurecimento. As coisas foram melhorando com o tempo, do porão fomos para uma casa alugada e depois minha mãe comprou uma casa velha e nos repassou. Ai foi outra luta para começar a reformar a casa, que dureza...
e) Duros tempos – Eu gostava de assistir as manifestações que por alguma circunstância acontecia eu presenciava. Tenho lembrança de manifestação do Parque Halfeld e também da passeata pelo tombamento da antiga fábrica Bernardo Mascarenhas. Me dava vontade de participar, de me juntar aos jovens, mas como? Tinha vontade de voltar a estudar, de entrar na universidade, de fazer teatro com pessoas mais cultas. Mas a responsabilidade com a família sempre falou mais alto.
f) Juventude perdida – Acho que minha abstinência forçada na juventude, me causou transtornos e deixou seqüelas. Hoje com 43 anos, muitos dizem que sou careta, perguntam se conheço tal grupo musical, ou se me lembro de determinada música ou se frequentei este ou aquele ambiente. Quando digo que não sei, a reação é imediata. Não acredito você não sabe? O que é isto? Isto não é possível. Fazer o que, o tempo não volta e nem voltará para mim e nem mais ninguém. Nós é que temos que ter a verdadeira consciência dos atos e arcar com as conseqüências destes. Mas se por um lado não vivi a juventude posso afirmar que meus filhos foram bem criados e puderam na medida do possível ter todo o conforto e a educação e vivi momentos maravilhosos que jamais serão esquecidos.
g) O início da militância – Sempre fui um militante dos movimentos comunitários e religiosos, como Vicentino, Liguista Católico e compondo a Diretorias da SPM do bairro Retiro. Também fiz parte da Diretoria do Sindicato dos Rodoviários. Como sempre trabalhei muito na minha vida, na década de 1990, eu tinha uma oficina de tornearia mecânica, trabalhava na oficina de dia e a noite de garçon numa pizzaria, a Pizza Nostra. Muitas vezes fui a pé do Centro para o bairro Retiro, porque o táxi era muito caro e precisava economizar.
h) A coisa piora – No final de 1997, a situação ficou difícil tive que fechar a oficina, fiquei uns tempos trabalhando de servente de bombeiro hidráulico com um primo, era uma situação terrível. Em 1998 prestei concurso público no Demlurb – Departamento Municipal de limpeza Urbana, meus filhos Janaina e Jackson me ajudaram muito, eles estudavam junto comigo, isto foi fundamental para que fosse aprovado, neste mesmo ano nasceu o meu filho mais novo, Jonas em 14 de dezembro. Fui nomeado em junho de 1998 ao mesmo tempo me matriculei no supletivo do ensino médio, na Escola Municipal Olinda de Paula Magalhães, onde conheci professores maravilhosos.
i) Tragédia – Quando as coisas pareciam entrar nos eixos, aconteceu a pior coisa da minha vida, no dia 05 de janeiro de 1999, meu filho Jackson foi atropelado dentro do túnel que serve a Br-267 e veio a falecer dois dias depois. Aquela tragédia acabou comigo, sempre fui muito agarrado com meus filhos, aquela separação brutal me tirou o chão. Perder um filho é não mais se situar no espaço e no tempo, é perder a própria identidade. Fiquei deprimido, só pensava em vingança. No meu coração só tinha rancor. Só o ódio tomava conta de mim. Até que um dia um senhor que trabalhava no setor de capina do Demlurb me chamou para uma conversa e me disse: "Cosminho, não deixe que o ódio tome conta de você, transforme este sentimento em algo de bom para as pessoas, pois você tem uma missão e Deus não coloca o peso maior que nós possamos carregar" e não cai uma folha de uma árvore sem que ele não queira". Aquelas palavras mexeram comigo. No dia seguinte saindo de casa presenciei um garoto quase sendo atropelado como o meu filho. Naquele momento pensei e tomei uma decisão que iria lutar para que nenhuma criança morresse como o meu filho.
j) Eleição para a SPM do Retiro – Candidatei-me para Presidente da SPM - Sociedade Pró-Melhoramentos, com ajuda dos colegas do curso supletivo, da diretora da escola, Aparecida Bassoli a quem devo muito e muitos moradores fui eleito. Junto com os demais diretores fizemos um grande trabalho na comunidade: conseguimos levar o ensino médio para o bairro que antes não tinha, através de acordo entre município e Estrado foi viabilizado a construção de passarelas na ponte do Rio Paraibuna para maior segurança dos transeuntes da BR- 267 e iluminamos toda a extensão da mesma, resolvemos o problema de abastecimento de água da comunidade, que era por poços artesianos e foi estendida o fornecimento pela adutora e muitos outros benefícios.
l) Perda da minha mãe – Nesta mesma época tive outro grande baque, perdi minha mãe, não foi fácil para mim, sofri muito. Perda em cima de perda só quem já passou por isto sabe o que é.
m) O desafio – Um dia um grupo de companheiros reunidos na borracharia do Demlurb revoltados com a situação que estávamos passando três anos sem reajustes, nenhum benefício, uma desmotivação me perguntaram: "Você teria coragem de ir para o sindicato". Respondi tenho, mas preciso de apoio. Foi neste momento que passei a relacionar-me mais de perto de companheiros como Santana que é motorista do Demlurb. Estava aproximando as eleições do sindicato e passamos a articular a composição da chapa.n) Nova gente–Através do Sr. Aldair que também é motorista do Demlurb fui apresentado aos ex diretores do Sinserpu, Rogério de Freitas e Alfeu, respectivamente ex-presidente e vice-Presidente da entidade derrotados na eleição anterior, e estes me apresentaram a uma pessoa que com certeza é um grande amigo e irmão até hoje. Valmir passou a nos orientar de tudo que precisava ser feito, nos passou tranqüilidade e os macetes desta difícil vida de sindicalista. Outro companheiro que é muito importante até hoje é José Peliçari do Amorim. Peliçari é um metalúrgico aposentado que lutou muito contra a ditadura militar, viu de perto o nascimento do PT e da CUT, pois naquela época trabalhava nas metalúrgicas de São Paulo, um cara inteligentíssimo. Neste processo de montagem da chapa conheci muita gente, a saudosa e guerreira militante Cirene Candanda, Amarildo Romanazzi, Alanir de Souza Pinto, Vera Lúcia Daniel e seu esposo João Batista, Vanor Alves Vieira, Régis da Vila, Francisco Carlos, o Chiquinho da Empav que é mais do que um amigo um irmão, todos ajudaram muito na nossa primeira vitória nas eleições do Sinserpu, e a estes sou muito grato.

Thursday, February 08, 2007

 

Chuvas de janeiro

O filho vira para mãe e diz: que coisa mais chata ficar em casa nas férias, sem ter o que fazer, sem alternativa. Isso é um tédio. A mãe muito tranqüila e trazendo no rosto as rugas que o destino já lhes dera respondeu: meu filho, procure ler um livro, organize seu álbum de fotografias ou me ajude nos afazeres da casa. E ele respondeu: está ficando louca? Separar fotografias, enxugar louças isso não é coisa para homem. A mãe indagou: O que é coisa de homem? Ficar preso na internet e se tornar dependente do Orkut, virando a noite atrás de um computador? Ou sair para o shopping, trocando o dia pela noite?
A mãe tem razão. Pobre geração do “veio”. Pobre geração virtual que não sabe o que é andar de carrinho de rolimã e brincar de bonecas, soltar pipas, brincar de pique bandeira, de pular cordas. Ai que saudades da olimpíada colegial dos anos 70, de tentar furar o bloqueio do juizado de menores nos cinemas da cidade.
Pobre geração que é educada para o consumismo. Garotada acuada que nem pode mais andar pelas ruas com tênis novo, pois corre risco de ser roubado e voltar para casa descalço, uma vez que o consumismo está também na periferia. Pobre elite que compra o melhor celular para adquirir status. Pobres meninos e meninas que não ouviram as histórias de seus avós, que não tiveram professores e professoras que educavam sem medo da violência. Pobres professores que hoje sentem nas salas de aula o resultado do caos social e da degradação familiar.
Mas nem tudo está perdido. Há homens e mulheres de boa vontade que lutam através de suas Ongs, ou de projetos governamentais sérios, visando mudar esse quadro. Queremos acreditar que o Brasil é um país de todos e não no velho ditado que o sol nasce para todos e a sombra para alguns.



Cosme Ricardo Gomes Nogueira
Diretor-Presidente do Sinserpu-JF

 

Somos reféns do próprio medo


O que é o medo? Segundo o dicionário Aurélio, medo é sentimento de grande inquietação ante a noção de perigo real ou imaginário.
Temos medo de tudo: medo da violência que nos faz ficar acuados em nossas casas, enquanto os bandidos andam soltos pelas ruas; medo até de saber quem realmente são os bandidos neste país; medo de ser mais um na estatística do desemprego e da política ameaçadora da maioria dos empresários, que a todo o momento fazem chantagem com governo, sindicatos e sociedade, com a velha frase “se pressionarmos vamos fechar as portas”. E por aí vai.
Temos também medo da aposentadoria, pois inativo no Brasil é sinônimo de abandono, tendo em vista a política perversa que é imposta para os trabalhadores brasileiros que se aposentam. Eles não conseguem nenhuma garantia que os assegure a tranqüilidade. Os reajustes concedidos aos aposentados são vergonhosos, justamente no momento em que mais necessitam de apoio, pois quando estamos nessa faixa etária da vida tudo fica mais difícil: a saúde já não é a mesma e as oportunidades praticamente não existem. Isso, sem falar na balela do discurso de que não pode conceder reajuste digno aos aposentados, porque vai falir a Previdência. Conversa fiada. O que faz falir a Previdência é a impunidade dos atos administrativos criminosos que foram e são cometidos contra a instituição.
Além dessa situação, há a crueldade com os servidores públicos: aumentaram o tempo de serviço e ainda estabeleceram índice salarial para desconto da contribuição após aposentadoria. No serviço público também reina o medo de manifestar o posicionamento político, diante de possíveis represálias, perseguições e assédio moral que volta e meia são cometidos contra os trabalhadores.
Temos, ainda, medo da medida do novo pacote do Governo federal que propõe tirar dinheiro do FGTS para investir em iniciativa privada, como fizeram com a Previdência no passado. Pois, é dinheiro saindo do bolso do trabalhador para os cofres das grandes empresas e em troca os trabalhadores nada recebem.
Temos medo de ficarmos doente, porque quem não tem plano de saúde e depende do SUS está ferrado. Até mesmo aqueles que têm plano de saúde têm medo, medo de no momento de mais necessidade o valor pago não corresponder às expectativas. Nessa hora, concluímos que pagamos para ter acesso a um SUS melhorado.
Ainda temos medo de recebermos o próprio pagamento, pois o valor nunca dá para pagarmos as contas no final do mês.
Só não tenho medo de escrever meus artigos. Só não tenho medo de acreditar que no futuro poderemos viver numa sociedade mais justa, que os nossos filhos poderão ter dignidade, a dignidade que eles tentam nos tirar a cada dia.

Cosme Ricardo Gomes Nogueira
Diretor-Presidente do Sinserpu-JF

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